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Circuit Breaker: saiba como ele funciona

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A bolsa de valores possui diversos mecanismos para garantir a segurança dos investidores e do mercado de ações. Dentre essas ferramentas está o circuit breaker, mecanismo ativado sempre em momentos de queda na bolsa de valores, que podem causar pânico em investidores desse mercado.

O circuit breaker está sempre visando evitar que os efeitos de qualquer acontecimento repentino prejudiquem os investimentos efetuados na bolsa de valores.

O que é Circuit Breaker?

O circuit breaker ou disjuntor em português, é uma ferramenta de segurança utilizada pela bolsa de valores, para interromper todas as operações da bolsa. O mecanismo é acionado durante períodos em que as ações negociadas na bolsa sofrem quedas que podem ser consideradas atípicas em seus valores.

Dessa forma, ele possui o objetivo de reduzir grandes instabilidades que são geradas mediante acontecimentos de grande impacto para as bolsas.

Assim, a ativação do mecanismo, promove a estabilidade no número de vendas e compras, logo, a bolsa de valores permite que os investidores tenham um tempo para planejar seus próximos passos, evitando negócios realizados pelo desespero.

Como funciona o Circuit Breaker no Brasil?

O circuit breaker é uma das ferramentas mais importantes da economia, ele pode ser acionado em situações de queda muito acentuadas.

O índice Bovespa (Ibovespa) é o indicador da bolsa de valores do Brasil, lembrando que o circuit breaker não é um mecanismo exclusivo do mercado financeiro brasileiro.

Por isso, o circuit breaker existe em outras bolsas de valores do mundo, sempre buscando moderar a volatilidade do mercado de ações.

No Brasil, as regras do circuit breaker são bem simples, o mecanismo é acionado automaticamente caso os seguintes fatos aconteçam:

  • Situações em que o Índice Bovespa (Ibovespa) sofre queda de 10% comparado ao índice de fechamento do dia anterior, o circuit breaker precisa ser ativado, gerando uma interrupção de 30 minutos em todos os negócios.
  • Após os 30 minutos de circuit breaker, a B3 (bolsa de valores brasileira) volta a funcionar, no intuito de normalizar as negociações. Caso o Ibovespa permaneça em queda e alcance uma desvalorização de 15% em relação ao dia anterior, ocorrerá outro circuit breaker, interrompendo as negociações por mais 1 hora.
  • Após 1 hora da segunda parada, a Bolsa de Valores reabre o mercado. Caso as 2 primeiras paralisações não sejam suficientes para conter o mercado e o Ibovespa sofra uma queda de 20%, a bolsa de valores brasileira irá suspender as negociações por tempo indeterminado.

Porém, essas regras não são aplicadas durante os últimos 30 minutos de funcionamento da bolsa.

Quando o circuit breaker foi acionado?

O circuit breaker pode ser acionado sempre que situações atípicas aconteçam no mercado, diante disso, ao longo dos anos já foram registradas diversas paralisações devido ao circuit breaker, dentre elas estão:

  • Crise asiática- 1997;
  • Crise Russa- 1998;
  • Câmbio Flutuante- 1999;
  • Crise do subprime nos EUA- 2008;
  • Delação da JBS- 2017;
  • Coronavírus, preço do petróleo em queda e corte das taxas de juros- 2020.

Crise asiática:

Em 1997, alguns países asiáticos foram surpreendidos por uma grave crise financeira, dentre os quais estavam a Malásia, Coreia do Sul, Filipinas e Tailândia. Assim, a bolsa de Hong Kong registrou uma baixa de 10,4% comparado ao índice anterior, gerando uma queda em todas as bolsas de valores do mundo.

Crise Russa:

A Rússia passou por uma grande crise financeira, durante o ano de 1998, diante disso, afirmava que não conseguiria quitar suas dívidas internas e externas. As consequências dessa crise foram sentidas em todas as economias do mundo. A bolsa de valores precisou realizar 5 paralisações, buscando controlar o mercado financeiro.

Câmbio Flutuante:

O ano de 1999 foi marcado por um período de desvalorização do real, essa mudança no regime cambial brasileiro, resultou na obrigação do Banco Central negociar dólares, diante do aumento de moeda estrangeira nos cofres brasileiros, a queda do valor das ações na bolsa foi concretizada.

Assim, a bolsa de valores precisou paralisar o mercado financeiro com 2 circuit breakers.

Crise do Subprime nos EUA:

Em 2008, foi registrada uma das maiores crises econômicas, diante da falta de pagamento entre os habitantes dos EUA e os bancos. A falência foi inevitável, provocando um colapso mundial. Dessa forma, a bolsa de valores precisou acionar o circuit breaker 6 vezes ao longo do ano.

Delação da JBS:

Em maio de 2017, o Brasil sofreu as consequências da delação de Joesley Batista, dono da JBS. O empresário divulgou uma gravação que envolvia políticos importantes, inclusive Michel Temer (MDB) que na época era presidente da república.

O mercado financeiro sofreu com essa instabilidade, gerando uma grande queda no valor das ações da bolsa de valores. No dia 18 de maio, o Ibovespa sofreu uma queda maior que 10%, levando ao acionamento do circuit breaker para paralisar a negociação de ativos.

Coronavírus, preço do petróleo em queda e corte das taxas de juros:  

Em março de 2020, o cenário referente ao COVID-19 já preocupava investidores e impactava negativamente diversas bolsas de valores pelo mundo, porém, outros fatores além do coronavírus provocaram o circuit breaker, dentre eles, a queda de mais de 30% no preço do petróleo.

Além da situação do petróleo e a pandemia do coronavírus, o corte de taxas de juros dos EUA de 1,25% para 0,25%, deixou a situação ainda mais delicada.

O que fazer em caso de Circuit Breaker?

Em uma primeira análise, percebe-se que essas paralisações só acontecem em casos extremos, principalmente, em situações inesperadas que o mercado ainda não sabe lidar. Dessa forma, evitar entrar em pânico e agir com racionalidade é a melhor opção.

Em algumas situações, podem surgir oportunidades de fazer bons negócios mesmo em caso de queda na bolsa de valores.

Além disso, avalie seus interesses e investimentos a curto, médio e longo prazo. O circuit breaker,  justamente, possibilita uma pausa, evitando decisões precipitadas e proporcionando tempo para pensar e ter reações mais racionais.

Em resumo, aprender sobre o mercado financeiro de ações e entender seus mecanismos de segurança é muito importante.

Visto que, em casos de circuit breaker, é muito importante que o investidor do mercado de ações possua tranquilidade e racionalidade mesmo em ocasiões inesperadas e desafiadoras.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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