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O que é a curva de juros?

curva de juros

Se você transita pelo universo do mercado de ações, você já deve ter escutado sobre a abertura ou fechamento da curva de juros e como esses eles afetam os investimentos.

A curva de juros, conhecida também como curva a termo, serve para expressar o comportamento do juros ao longo de um determinado tempo.

Portanto, a curva de juros é uma função matemática que indica como eles variam no decorrer de um empréstimo ou de uma aplicação financeira na renda fixa.

Entenda sobre a curva

O principal objetivo da curva a termo é atuar como ferramenta de projeção. Na prática, essa relação mostra como o mercado precifica o risco.

Em geral, investimentos de curto prazo apresentam juros menores para o investidor, do que investimentos de longo prazo.

Ou seja, quanto maior for os juros, maior será o retorno no longo prazo.

Dessa forma, o padrão teórico é que o gráfico da curva de juros seja composto por uma linha crescente.

Contudo, quando essa linha apresenta inversões, ou seja, a taxa de juros a longo prazo está abaixo da taxa de curto prazo, o gráfico padrão se distorce.

Dessa forma, o mercado a entende como um sinal de recessão corrente ou futura.

Relação juros e tempo

Para entender a formação da curva de juros, é preciso antes visualizar a forma como os dois componentes dessa função, os juros e o tempo, se relacionam.

Em primeiro lugar, quando um credor cede a oportunidade de emprestar o seu dinheiro, ele não está cedendo apenas um valor expresso em cédulas ou telas. 

Ele cede, por sua vez, a sua disponibilidade de uso particular daquela quantia durante todo o período de aplicação.

Por essa razão, é possível afirmar que o tempo, dentro do mercado financeiro, é valorizado. Ou seja, quanto mais longo é um empréstimo, maior é o valor agregado a ele.

Além disso, há o risco de inadimplência, que cresce de acordo com o período de aplicação. Afinal, há mais chances de comprometimento do pagamento, se maior for o tempo de empréstimo.

Todos esses fatores fazem com que, naturalmente, as taxas de juros se elevem, carregando o próprio peso do dinheiro emprestado e do tempo.

A oferta e demanda financeira também influenciam nesse processo.  Se existe maior quantidade de dinheiro disponível para empréstimo, os juros ficam menores em função da alta oferta. 

No entanto, em períodos de maior risco, a tendência é que essa oferta diminua, aumentando os juros sobre o capital.

Como calcular a curva a termo?

Os títulos de renda fixa ou empréstimos bancários também apresentam uma característica importante: data de vencimento

Portanto, ao contrário da renda variável, os fluxos de caixa são previsíveis, assim como as taxas de juros empregadas ao longo do tempo.

Desta forma, o investidor consegue traçar uma curva gráfica entre os vencimentos desses títulos e suas respectivas taxas de juros. 

Para resumir, a linha gerada em uma curva de juros é a relação direta entre dois fatores:

  • tempo, ou prazo de maturação de um título, representando no eixo X de um gráfico;
  • cobrança de juros em cada período, representada no eixo Y de um gráfico.

Já a curva de juros livre de riscos, também denominada curva base, deve ser construída a partir de dados de mercado de títulos considerados isentos de riscos de créditoliquidez. 

Ao longo do tempo, a curva base pode oscilar de diferentes formas, em decorrência de choques diferenciados sobre as taxas de juros associadas a cada vencimento. 

É a variabilidade temporal da curva de juros que submete os instrumentos de renda fixa ao risco de mercado.

O que significa abertura e fechamento da curva de juros?

curva de juros 2

Quando a expectativa passa a ser de alta de juros, essa inclinação aumenta, e se fala em abertura da curva de juros.

Porém, quando essa expectativa passa a ser de queda, a inclinação diminui. Asim, se fala em fechamento da curva de juros.

O efeito mais evidente desses elementos se dá nas aplicações de renda fixa. Uma abertura da curva tende a aumentar a remuneração dos investimentos atrelados à taxa Selic e ao CDI.

Além disso, essa abertura tende a elevar as taxas dos títulos prefixados e atrelados à inflação. 

Ao mesmo tempo, os preços desses títulos caem, desvalorizando o investimento de quem comprou esses papéis a taxas prefixadas mais baixas.

Um título prefixado é um título que possui rentabilidade definida no momento da compra. Em resumo, títulos prefixados são indicados quando existe perspectivas de queda de juros futuros. 

Quanto ao fechamento da curva de juros, há um efeito oposto: ele tende a deixar os investimentos pós-fixados menos interessantes. Um investimento é pósfixado quando o seu rendimento só será conhecido no futuro.

Além disso, o fechamento tende a reduzir as taxas dos títulos prefixados e atrelados à inflação e, ainda, a valorizar esses títulos, beneficiando quem os tiver comprado a taxas mais altas.

A abertura e o fechamento também têm efeito sobre os ativos de risco, ligados à renda variável, como é o caso das ações.

Juros futuros mais altos representam um custo de oportunidade maior, crédito mais caro e renda fixa mais interessante, tirando a atratividade dos ativos de risco. 

Juros futuros mais baixos, por outro lado, invertem essa relação, aumentando a atratividade da bolsa de valores e do mercado imobiliário.

Qual é a importância da curva de juros?

A taxas de juros é um conceito central da teoria financeira e é usado para precificar qualquer conjunto de fluxos de caixa, isto é, ao montante de caixa recolhido e gasto por uma empresa durante um período de tempo definido.

Isso porque, o preço de qualquer investimento é igual ao valor presente de seu fluxo de caixa esperado. 

Determina-se, por tanto, o valor presente como o valor do fluxo de caixa esperado descontado pela taxa de juros que um investidor requisitou para investir.

Esta taxa de juros esperada é observada na curva de juros de contratos com mesma classe de risco.

Por essa razão, a curva a termo é um indicador extremamente importante na economia de um país, demonstrando a precificação dos títulos em diferentes momentos. Ela é, portanto, fundamental no entendimento de cada período econômico. 

Se há um comportamento de queda, a curva a termo demonstra maior confiança do consumidor. Por outro lado, quando a taxa de juros sobre, representa também a identificação de um maior risco de mercado.

No Brasil, a curva de juros é composta, principalmente, por títulos prefixados e taxas de juros aplicadas em contratos futuros de CDI.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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