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Saiba para que o Fama French serve

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Existem vários modelos de precificação usado no mercado financeiro. Um deles é o Fama French.

O Fama French se destaca por usar três fatores para determinar o retorno obtido com ações. Por isso, é também conhecido como “modelo de três fatores de Fama French”.

Esse modelo foi criado por Eugene Fama e Kenneth French, professores na Booth School of Business, da University of Chicago e, por essa razão, leva o nome de Fama French como homenagem aos pesquisadores.

Entenda o Fama French

Em linhas gerais, o Fama French é um modelo de precificação usado no mercado financeiro que explica retorno e risco de ativos.

Esse modelo é, essencialmente, o resultado de uma regressão econométrica dos preços históricos das ações.

O modelo de três fatores de Fama French é uma teoria do mercado, o qual é marcado por 3 visões. São elas:

  • Small Minus Big – SMB (Tamanho da firma e valor precificado);
  • High Minus Low – HML (Tamanho da firma e valor precificado);
  • Retorno do mercado (Principal fator).

Small Minus Big Factor (SMB)

Também conhecido como “efeito tamanho”, o SMB relaciona a diferença de performance dos papéis de empresas menor valor contra empresas de elevado valor.

Sendo assim,  a lógica é que é bem possível que você bata o mercado se estiver concentrado em boas small caps, que podem render muito mais que as chamadas blue chips.

High Minus Low Factor (HML)

O HML trata da diferença de desempenho de papéis de empresas que tenham uma baixa relação book-to-market, ou seja, uma baixa razão entre seu valor de mercado e seu valor patrimonial, frente a empresas com alto book-to-market.

Assim, também podemos chamar essa métrica de “efeito valor”, pois papeis que guardam boa relação book-to-market são as chamadas “ações de valor”. Essas costumam mostrar melhor desempenho em longo prazo.

Retorno de mercado

Por fim,  o retorno de mercado apresenta a influência do desempenho do mercado na sua carteira, pois mensura um retorno do mercado descontado a taxa livre de risco.

Como o Fama French funciona?

Um dado importante para considerar nessa teoria é que o “valor”, que sempre é subjetivo, é avaliado por meio contábil. Assim, a relação de valor se dá pela contabilidade.

Se um ativo está com preço alto na relação contábil, podemos concluir que a empresa também possui alto valor. Esse é caso das empresas de crescimento.

No geral, as carteiras de ações  que se montam no meio do ano, ou no final do mês de junho, possuem os ativos do mercado de dois principais tamanhos, que são: Market Equity e Book-to-Equity.

O ponto de corte da carteira de julho levará dois Market Equity (ME) e três Book-to-Equity (BE). Ou seja, as sugestões para construção da carteira consideram o patrimônio médio de mercado das empresas da bolsa de valores.

Além disso, a Bolsa de Valores de Nova York, NYSE, utiliza a métrica baseada no modelo Fama French. Ela também conhecida como a métrica BE/ME

Nela, se considera o patrimônio contábil do último relatório da empresa, que se divide por ME. Para NYSE, os pontos de corte são de 30% a 70% nessa métrica.

Cálculo do Fama French

A fórmula, em essência, do modelo Fama French é a seguinte:

Ri = Rf + β (Rm–Rf) + β (SMB) + β (HML) + ↋

Na qual:

  • Ri é o retorno esperado de uma ação ou carteira;
  • Rf é a taxa livre de risco;
  • β são coeficientes de fator;
  • (Rm – Rf) é o prêmio de mercado;
  • (SMB) é o fator small minus big;
  • (HML) é o fator high minus low;
  • ↋ é o risco.

Sendo assim, esses fatores são calculados com combinações de carteiras compostas por ações classificadas e dados históricos de mercado disponíveis.

A conclusão básica que o modelo Fama-French permite traçar é que, em estratégias de investimento de longo prazo, empresas menores e que focam em valor podem trazer retornos melhores do que empresas grandes e que focam em crescimento.

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Modelo de cinco fatores de Fama e French

Os pesquisadores expandiram o modelo de três fatores nos últimos anos para incluir outros fatores. Sendo assim, em 2014, Fama e French adaptaram seu modelo com cinco fatores.

Em primeiro lugar, o modelo adiciona o conceito de que as empresas que relatam ganhos futuros mais elevados têm retornos mais elevados no mercado. Esse é o conceito de  rentabilidade.

O fator de rentabilidade (RMW) é a diferença entre os retornos de empresas com rentabilidade operacional robusta e fraca.

Além desse, o quinto fator, denominado investimento, relaciona-se ao conceito de investimento interno e retorno.

Ele sugere que as empresas que direcionam o lucro para grandes projetos de crescimento têm chance de sofrer perdas no mercado de ações.

Portanto, o investimento (CMA) é a diferença entre os retornos de empresas que investem de maneira conservadora e aquelas que investem agressivamente.

Diferença entra CAPM e Fama-French

Primeiro, é importante apresentar a fórmula do modelo CAPM:

Ri = Rf + β (Rm–Rf)

Na qual:

  • Ri = o retorno esperado que o modelo CAPM busca calcular;
  • Rf = taxa de juros livre de risco;
  • β = Índice Beta, que aponta o risco associado ao investimento
  • Rm = taxa de remuneração do mercado.

O modelo mais tradicional de precificação de ativos, CAPM, usa apenas uma variável para determinar o retorno de uma ação ou de um portfólio.  Essa variável é o prêmio de mercado.

Os pesquisadores Fama e French, então, começaram a observar que dois tipos de ações têm uma tendência a apresentar retornos superiores ao mercado: small caps e ações com um alto B/P.

O B/P significa a relação book-to-market, que compara o valor da empresa nos livros com o preço atual de sua ação no mercado. Essas observações traduzem-se em risco de tamanho e risco de valor.

Por essa razão, Fama e French adicionaram esses dois fatores ao CAPM. Dessa forma, se ajusta o modelo para considerar a tendência que small caps e ações de alto B/P apresentam para superar o retorno do mercado.

Estudos demonstram que o modelo Fama French é capaz de determinar o retorno de até 95% dos portfólios diversificados.

No entanto, o modelo CAPM é capaz de determinar o retorno em cerca de 70% dos casos.

Por isso, considera-se o Fama French uma ferramenta melhor para avaliar a performance do gestor do portfólio.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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