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Fundos de Recebíveis: para que servem?

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Para quem se interessa em investimentos no mercado imobiliário, conhecer os Fundos de Recebíveis pode ser interessante.

Os Fundos de Recebíveis, ou Fundos de Papel, são Fundos de Investimentos Imobiliários que trabalham principalmente com títulos do setor imobiliário.

Portanto, como define a Anbima, os Fundos de Recebíveis procuram investir acima de dois terços do seu patrimônio líquido em títulos e valores mobiliários.

O que são Fundos de Investimentos Imobiliários?

Em primeiro lugar, os Fundos de investimento imobiliários (FIIs) são uma junção de recursos voltados à aplicação em empreendimentos imobiliários.

Por ser um fundo, ele se constitui sob a forma de um condomínio fechado. Ele se divide em cotas, que representam parcelas do seu patrimônio.

Além disso, as decisões sobre o que fazer com os recursos são responsabilidade do gestor do fundo, que é um profissional especializado.

Os investimentos podem ser bem-sucedidos ou não. Isso determinará a valorização ou a desvalorização das cotas dos fundos.

Existem três formas de obter rendimentos com os Fundos Imobiliários, sendo elas:

  • Dividendos mensais: depósitos do rateio de todos os aluguéis recebidos pelo administrador dos imóveis, já com os descontos dos custos de administração e de conservação do imóvel;
  • Valorização das cotas: ocorre quando os imóveis são bem avaliados ou as cotas de participação do fundo são mais procuradas. Esse se parece com o que ocorre com as ações de empresas. Quanto menor o preço pago na compra e maior o preço da venda, maior a rentabilidade.
  • Dissolução do fundo: menos comum, ela significa que se vendeu os imóveis e dividiu os valores proporcionalmente para cada cotista.

Como os fundos de recebíveis funcionam e geram lucro?

Basicamente, o funcionamento e bom resultado de um Fundo de Recebíveis acontece por meio do investimento em títulos do setor imobiliário. Desta forma, existem duas formas de lucrar, sendo elas:

  • Vencimento dos títulos. Esse é o momento em que empresa emissora do papel precisa devolver o dinheiro investido com o pagamento dos juros prometido;
  • Negociação de títulos imobiliários no mercado. Nessa etapa é possível lucrar com a variação de preços entre a compra e a venda do papel.

Por último, é possível ainda fazer com que o cotista ganhe dinheiro ao vender as cotas do fundo caso elas se valorizem no mercado.

No entanto, esse não é um objetivo comum para o investidor de FIIs. O foco está no recebimento mensal que os fundos são capazes de gerar.

Quais tipos de títulos que um Fundo de Recebível investe?

Existem vários títulos possíveis de investir dentro dos Fundos de Recebíveis, sendo eles, por exemplo:

  • CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários);
  • LCI (Letras de Crédito Imobiliário);
  • LC (Letras Hipotecárias).

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários)

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O Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) é o mais comum tipo de ativo de um Fundo de Recebíveis.  Sendo assim, empresas não financeiras emitem esse título como forma de tentar o financiamento das suas atividades imobiliárias.

Como há maior risco do que outros papéis de renda fixa, os juros pagos nesse tipo de operação são mais altos. Por essa razão, sua rentabilidade é um atrativo.

Além disso, não há restrições para esse tipo de investimento. No entanto, o investimento inicial costuma ser alto. Desta forma, fica muito mais acessível para o investidor individual ter acesso a esse papel por meio dos Fundos de Recebíveis.

Como apresentam um retorno bem acima de outros títulos mais conservadores, os CRIs aparecem comumente na carteira dos Fundos de Papel.

LCI (Letras de Crédito Imobiliário)

Em segundo lugar, estão as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). O objetivo do título é o financiamento do setor imobiliário. Contudo, ao contrário do CRI, empresas financeiras é que fazem a emissão.

Dessa forma, existe um cenário de menor risco ao comprador, o que também significa menores rentabilidades. Por essa razão, acaba sendo um título que os Fundos de Recebíveis usam menos, além de ser mais acessível ao investidor individual.

Diferente do primeiro, esse ativo é protegido pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Para os fundos imobiliários, isso não traz qualquer benefício. No entanto, o faz mais seguro para o investidor individual.

LH (Letras Hipotecárias)

Por fim, existem as Letras Hipotecárias (LH). São instituições financeiras que emitem esses títulos. Elas tem por fim a captação de recursos para aplicação de hipoteca para clientes.

Exemplos de Fundos de Recebíveis

São alguns dos exemplos de Fundos de Recebíveis:

  • KNCR11 (Kinea Rendimentos Imobiliários);
  • MXRF11 (Maxi Renda);
  • HGCR11 (CSHG Recebíveis Imobiliários);
  • RBRR11 (RBR Rendimento High Grade);
  • VRTA11 (Fator Verita);
  • IRDM11 (Iridium Recebíveis Imobiliários).

Vantagens e desvantagens dos Fundos de Recebíveis

Para quem quer investir no Fundos de Recebíveis, existem vantagens e desvantagens no processo. Conheça elas:

Vantagens

Em primeiro lugar, o destaque vai para a possibilidade de criar uma oportunidade de investir em renda fixa com uma rentabilidade melhor.

Já em segundo lugar está a diversificação dos ativos. Com os fundos, é possível investir em papéis mais difíceis de aplicar quando se é investidor individual, como também em papéis atrelados a vários indexadores.

Por fim, está a isenção do Imposto de Renda para os rendimentos oferecidos pelos FIIs. A isenção do IR é importante porque ela incide na rentabilidade líquida do seu investimento.

Desvantagens

Por outro lado, se têm as desvantagens desses fundos. Embora sejam de renda fixa, os Fundos de Recebíveis possuem riscos. Na prática, essa ideia de que eles são seguros não funciona porque os títulos obtidos oferecem boas rentabilidades justamente pelo seu risco.

Vale dizer, ainda, que é possível comprar esses fundos no mesmo home broker que se compra ações.

Além disso, existem os indexadores dos títulos. Eles podem, por exemplo, serem atrelados ao CDI, que segue um padrão muito próximo ao da Taxa Selic. Portanto, isso significa dizer que quando a taxa básica de juros está baixa, esses fundos podem perder desempenho.

Por último, tem o crescimento do valor patrimonial. Essa é difícil de ser vista porque existe a obrigatoriedade dos FIIs distribuírem 95% dos seus lucros aos cotistas.

Afinal, vale a pena investir nesses fundos?

Por conterem ativos de renda fixa de maior risco e, logo, maior rentabilidade, esses fundos são uma boa forma do investidor buscar a diversificação da sua carteira.

Sendo assim, para quem se interessa pela renda fixa e busca uma renda passiva mensal, os FIIs de papéis podem ser uma opção.

Por essa razão, escolher investir em Fundos de Recebíveis está atrelado diretamente ao seu perfil de investidor e seus objetivos financeiros.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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