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Green shoe: conheça técnica do mercado

green shoe

Você pode até não conhecer o termo green shoe, mas ele continua sendo muito importante para o mercado financeiro.  Embora o mercado faça com que pareça complexo, não é impossível de entender. 

Em poucas palavras, o green shoe funciona como uma prática para oferecer mais ações ao mercado de acordo com a demanda.

Assim, o green shoe é um mecanismo financeiro que oferece às empresas a opção de vender ações adicionais durante uma IPO (Oferta pública inicial).

O que é IPO? 

Em primeiro lugar, como o green shoe está diretamente relacionado com a oferta pública inicial, é preciso explicar o que é o IPO.

Oferta pública inicial é um tipo de oferta em que as ações de uma empresa são vendidas ao público em geral em uma bolsa de valores pela primeira vez. 

O IPO compreende, por sua vez, operações como:

Para as empresas, ele é também primeiro passo para deixar de ser uma companhia limitada se tornar uma sociedade anônima

Já para os investidores, é o momento de se tornar sócio de uma empresa de interesse.

No geral, as empresas que fazem IPO estão em um estágio de maturidade avançado dos seus negócios.

Tanto para quem abre o capital como para quem investe, há vantagens e desvantagens.

Entenda o green shoe

Explicado o que é IPO, agora vale adentrar no conceito de green shoe. 

O mercado financeiro funciona com base na “lei da oferta e demanda”. Porém, esta lógica pode ir contra os interesses dos investidores quando a demanda se torna pequena.

Por isso, o green shoe é um mecanismo financeiro que funciona como um lote suplementar de ações.

Nesse tipo de contrato, os subscritores ou underwriters podem comprar até 15% adicionais das ações da empresa pelo preço da oferta. 

Contudo, os underwriters devem comprá-las dentro de 30 dias após a proposta inicial.

E quem são os subscritores? 

No processo de green shoe, essas companhias podem vender lotes adicionais ao mercado posteriormente, caso julguem necessário.

O green shoe shoe atua para que a demanda seja atendida em caso de não haver IPOs suficientes. Assim, proporciona mais lucro aos subscritores e estabiliza o valor das ações. 

Afinal, uma balança de oferta e demanda desequilibrada, os títulos se tornam muito voláteis. 

Como o green shoe opera?

green shoe 2

Durante um IPO, a empresa declara um preço de emissão para seus títulos e anuncia uma quantidade específica de tipos de ações que vai emitir.

No entanto, pode ser que a demanda tenha um aumento inesperado. 

Nesse caso, para controlar o déficit de oferta e demanda, as empresas usam o mecanismo como uma espécie de manipulação benéfica do mercado.

Assim, quando as negociações começam, o preço do título não aumenta drasticamente, devido à inconsistência da oferta e demanda.

O dinheiro arrecadado com a oferta adicional no mercado não é depositado em nenhuma das contas. Na verdade, ele é depositado em uma conta de garantia criada para esse processo.

Uma vez iniciada a negociação no mercado, o agente estabilizador pode retirar dinheiro depositado na conta de garantia, conforme requerido.

Após isso, ele pode também recomprar ações em excesso dos acionistas e, em seguida, realizar o pagamento aos promotores da empresa.

Todo o processo de empréstimo de ações pelos promotores e o reembolso tem o nome de “mecanismo de estabilização”.

Emissão do lote suplementar 

Durante o período anterior a emissão, escolhe-se um intermediário para liderar o processo. 

O intermediário, por sua vez, define o preço e elabora a proposta para o lote suplementar. 

Contudo, o emissor e os acionistas devem aprovar o processo. Durante o período de oferta, emite-se valores mobiliários

Esses novos ativos estarão na posse do intermediário, que vai oferecer aos investidores.

Assim, o intermediário pode solicitar um lote adicional no caso do montante inicial exceder as expectativas do mercado. 

Os valores que se referem ao green shoe servem como base para operações de estabilização para o mercado secundário.

O que é green shoe reverso?

O green shoe reverso é, basicamente, uma opção de compra reversa também contida em um contrato de subscrição de oferta pública

Sua lógica é a mesma do green shoe, mas com um fluxo contrário.

Ou seja, em vez de ter o direito de oferecer um lote suplementar ao mercado, o subscritor tem o direito de comprar ações e repassá-las à empresa que emitiu os títulos. 

É uma tática geralmente ligada aos períodos de queda nos preços dessas ações devido a baixa demanda.

Assim, o banco recompra essas ações dos investidores até que a demanda volte a aumentar, restabelecendo um valor de compra aceitável.

Como surgiu o green shoe? 

O green shoe surgiu a partir da chamada Green Shoe Manufacturing Company, uma empresa americana de calçados, fundada em 1919. Ela foi a primeira empresa a implementar a cláusula em seu contrato de subscrição de ações.

A partir disso, todos os acordos que apresentam a opção de lote suplementar são considerados uma opção de green shoe.

No início, a aceitação dele foi controversa, mas hoje é uma prática considerada normal e legalizada nos principais mercados, incluindo a bolsa de Nova York, por exemplo.

Vale a pena investir em green shoe? 

O investimento pode gerar maiores lucros para o emissor e a empresa de subscrição caso a demanda esteja acima do esperado.

Além disso, a prática  também facilita a estabilidade de preços e reduz o risco de uma empresa emitir novas ações.

Isso permite que o subscritor tenha poder de compra para cobrir posições vendidas se o preço da ação cair, sem o risco de adquirir ações se o preço subir.

Em troca, o preço dos ativos se mantém estável, beneficiando tanto os emissores quanto as pessoas que costumam investir em renda variável.

No entanto, por ser uma prática complexa, se você for iniciante e estiver com dúvidas, o recomendado é pesquisar sobre essa prática antes de decidir.

Vale ressaltar que investir em ações de green shoe traz riscos inerentes às aplicações desse tipo de renda.

Por essa razão, somente vale a pena investir em green shoe se você tiver certeza dos riscos e das vantagens oferecidas. Conheça bem o seu perfil.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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