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IBC-Br: qual é a sua importância?

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Embora muitos conheçam o PIB, é possível que a maioria das pessoas não tenham ouvido falar do IBC-Br.  Calculado pelo Banco Central (BC), esse índice serve como parâmetro para a avaliar o ritmo de crescimento da economia brasileira ao longo dos meses. 

O IBC-Br é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) e ajudar na definição da taxa básica de juros, mais conhecida como Taxa Selic.

O indicador do BC leva em conta a trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos três setores da economia brasileira, sendo eles: indústria, agropecuária e serviços. 

Para que serve o IBC-Br? 

Primeiramente, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil (IBC-Br), como diz o nome, trata-se de um indicador 

Criado em 2003, o índice passou a ter abrangência nacional somente em 2010. No início, divulgava-se o indicar separadamente por Estado e região do País.  

A construção do IBC-Br foi motivada pela inexistência de indicador agregado de atividade econômica de frequência mensal que permitisse sintetizar e avaliar o estado da economia.

Publicado cerca de 45 dias após o mês de referência, o IBC-Br tem se mostrado importante nos primeiros meses de cada trimestre. 

As  principais funções do IBC-Br: 

  • Orientar o Banco Central no controle da inflação; 
  • Influenciar na definição da meta da taxa básica de juros da economia; 
  • Impactar diretamente nas estimativas do PIB no mercado financeiro. 

Além disso, ele pode influenciar ainda o cálculo do risco-país. Esse cálculo analisa o déficit fiscal do governo federal. Portanto, ele serve como guia para estrangeiros que investem e desejam aplicar dinheiro no Brasil. 

Para que o IBC-Br execute suas funções, o índice considera o volume de produção agropecuária, de serviços e industrial, além dos impostos sobre a fabricação.

No entanto, existem outros dados sobre o Brasil com informações relevantes para o IBC-Br, como, por exemplo: 

  • Pesquisa Industrial Anual (PIA); 
  • Pesquisa Anual de Serviços (PAS); 
  • PNAD Contínua; 
  • Pesquisa Agrícola Municipal (PAM); 
  • Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). 

Qual é a diferença entre o IBC-Br e o PIB? 

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Apesar de mostrar a evolução da economia nacional, o IBC-Br não é igual ao PIB. Em primeiro lugar, é preciso entender o que é o PIB. 

Em linhas gerais, o Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado.  

Por essa razão, ele é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia com o objetivo de quantificar a atividade econômica de uma região. No entanto, seus conceitos, metodologias e frequências de cálculos se diferem do IBC-Br.  

Embora a base metodológica do cálculo do IBC-Br use o SCN como referencia, o indicador
não dispõe do mesmo painel de informações utilizado na compilação do PIB.

Por ser calculado pela ótica da oferta, ou seja, da produção dos três setores econômicos, o IBC-Br não adota procedimentos de balanceamento entre oferta e demanda.

Dessa forma, para que sirva como um guia do PIB, divulga-se o IBC-Br de forma mais frequente, isto é, mensal.

Por outro lado, o PIB é publicado uma vez a cada três meses pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com defasagem.   

Além disso, também faz parte de ambos os índices o volume dos impostos sobre produtos. Ele pode ser projetado no IBC-Br a partir da soma da produção e importações.  

Por último, o PIB também leva em conta dados referentes ao consumo das famílias, além do consumo e investimentos feitos pelo governo. 

Efeitos sazonais

Apesar da série histórica dos indicadores se assemelhar a longo prazo, o valor do PIB e do IBC-Br pode ser diferente em prazos curtos.  

Essa diferença foi vista, por exemplo, durante a crise financeira internacional de 2008 e na posterior recuperação da economia, em 2010. Um dos motivos para isso é a própria limitação do IBC-Br. 

Além disso, outra razão para isso são os cálculos para a retirada de efeitos sazonais sobre a produção, a exemplo do carnaval e natal. Como consequência, são divulgadas duas séries do índice: com e sem efeitos sazonais.

Como o Banco Central usa o IBC-Br?   

O IBC-Br é também uma das ferramentas utilizadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Taxa Selic) da economia brasileira.

No Brasil, ela representa a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais. 

A Taxa Selic, ainda, é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação e, consequentemente, o consumo do país.  

A Selic é ajustada durante as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão da autarquia. Essas reuniões acontecem a cada 45 dias.  

Portanto, se o IBC-Br indicar aceleração, pode incentivar a autarquia a iniciar um ciclo de alta de juros. Por outro lado, caso aponte para fraqueza da economia, pode motivar um ciclo de cortes da taxa. 

Como esse índice interfere nos investimentos? 

Em primeiro lugar, taxa básica de juros, que está relacionada ao IBC-Br, serve como referência para os rendimentos de aplicações financeiras 

O indicador influencia o mercado à  medida em que, ao apresentar aumento ou redução da atividade nos grandes setores, sinaliza como está a confiança no Brasil e quais investimentos a curto prazo são mais indicados. 

Quanto menor a Selic, por exemplo, menor é o rendimento das aplicações de renda fixa, como a poupança, CDBs e títulos públicos. Já quando maior forem os juros, maiores serão os rendimentos nesses investimentos. 

Além disso, o IBC-Br também serve como base para decisões de gestores de fundos de investimento, os chamados investidores institucionais. Portanto, seu movimento também influencia alocações de ativos nesse produto financeiro.   

A evolução do IBC-Br pode ainda causar oscilações na bolsa de valores. Isso acontece porque, quando há uma queda de confiança na economia, os gestores optam por diminuir posições em ativos de maior risco, como as ações 

Portanto, para quem investe nos papéis, a divulgação do IBC-Br pode ter impacto positivo ou negativo na renda variável. 

Por fim, em razão de todos os efeitos que o índice pode ter sobre investimentos, é comum comparar cada divulgação do IBC-Br com às expectativas do mercado financeiro.  

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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