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Para que serve o IDIV?

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Na bolsa brasileira existe um índice específico para representar as empresas que mais costumam pagar dividendos aos seus acionistas: o IDIV.

O IDIV, sigla para Índice Dividendos, funciona como indicador do desempenho médio das cotações das ações emitidas por companhias abertas.

Em linhas gerais, selecionam-se as ações que participam do IDIV pela sua liquidez. Além disso, esses papéis são ponderados pelo seu valor de mercado disponível para negociação.

Entenda sobre o IDIV

Em linhas gerais, o índice funciona como uma carteira de dividendos teórica de ativos listados na bolsa.

O IDIV mede a quantidade de dividendos distribuídos por uma empresa em relação ao preço atual do papel no mercado.

Índice Dividendos BM&FBOVESPA é um índice de ações de retorno total, procurando refletir não apenas as variações nos preços dos ativos integrantes do índice no tempo.

Além disso, também reflete o impacto que a distribuição de proventos por parte das companhias emissoras desses ativos teria no retorno do índice.

Dividend Yeld (DY)

Dividend Yield (DY), tradução para o português como Rendimento de Dividendo, é um indicador que mede a performance da empresa de acordo com os proventos pagos aos seus acionistas.

Por essa razão, ele mostra a relação entres os dividendos distribuídos e o preço atual da ação da empresa. Seu cálculo é feito pela divisão dos dividendos pagos por ação pelo preço unitário da ação. Depois disso, é só multiplicar o resultado por 100.

Em teoria, papéis com DY elevado são “ações de valor”, ou seja, aquelas cujo preço de mercado se encontram “baratas” comparadas ao dividendo por ação projetado.

Em outras palavras, portanto, o dividendo a ser distribuído é atrativo em relação à cotação e aos juros de mercado.

No entanto, caso o preço de uma ação se desvalorize, o DY vai parecer maior.

Como funciona a composição do IDIV?

O índice IDIV é composto pelas empresas listadas no Mercado Bovespa que apresentaram os maiores Dividend Yelds nos últimos 24 meses anteriores a seleção da carteira.

Além disso, a mesma empresa pode ter mais de uma ação participando da carteira.

Empresas com menos de 12 meses de listagem somente são elegíveis se tiverem mais de 6 meses de negociação e se apresentarem, pelo menos, 95% de presença em pregão nos últimos seis meses do período de análise.

Ativos que entram no IDIV:

  • Ações ON (Ordinárias);
  • Ações PN (Preferenciais);
  • Units, que são conjuntos de ações ON e PN.

Ativos que NÃO entram no IDIV:

  • BDRs (Brazilian Depositary Receipts);
  • Empresas em recuperação judicial ou extra-judicial;
  • Empresas em regime de administração temporária ou intervenção.

Seleção de ações

O processo seleção de ações através do Dividend Yield funciona dessa forma:

  1. Apura-se o Dividend Yield de todos os dividendos e juros sobre capital próprio distribuídos por ação nos últimos 24 meses;
  2. Soma-se os Dividend Yields de cada ação no período;
  3. Relaciona-se ações em ordem decrescente de Dividend Yield total no período;
  4. As ações que estiverem dentro dos 25% da amostra com os maiores DY irão participar da carteira.
  5. Por último, as ações integrantes da carteira anterior permanecem se estiverem entre os 33% da amostra com os maiores Dividend Yields.

Calcula-se o índice em tempo real, considerando instantaneamente os preços de todos os negócios efetuados no mercado à vista (lote padrão).

Ponderação do IDIV

No IDIV, ponderam-se os ativos pelo valor de mercado do free float, ou seja, ativos que encontram-se em circulação, da espécie pertencente à carteira. O limite de participação baseia-se na liquidez.

Como negociar o IDIV?

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O IDIV não é um ativo que se negocia diretamente em bolsa de valores. No entanto, existem duas maneiras de rentabilizar seus investimentos de acordo com a variação do Índice Dividendos BM&FBOVESPA.

A primeira maneira, mais difícil é comprar todas as ações que participam da composição do Índice Dividendos. Nesse caso, é  preciso respeitar, inclusive, a proporcionalidade de cada uma destas ações dentro da carteira teórica do indicador.

Além disso, o investidor deve adequar sua carteira de ativos toda vez que o IDIV alterar sua composição.

A segunda maneira é, basicamente, comprar um fundo de índice de ações, também conhecido como ETF (Exchange Traded Fund), que tenha por objetivo replicar a rentabilidade do IDIV.

Nessa segunda opção, todo o trabalho de comprar e, ainda, de manter a carteira teórica atualizada. Dessa forma, todos os ativos componentes do IDIV ficam a cargo do gestor do ETF.

IDIV e DIVO11

No caso específico do Índice Dividendos, o investidor tem a sua disposição o fundo de índice de ações DIVO11, negociado em tempo real na BM&FBOVESPA.

Quem gere o DIVO11 é o Itaú Unibanco, que consegue refletir os resultados da carteira teórica do IDIV antes das taxas e impostos. 95% dos investimentos deste fundo são em ações do índice.

Já os outros 5% podem ser investidos em posições compradas no mercado futuro do índice e em outras ações que não compõem o índice.

Quando o investidor adquire uma cota de um ETF, é como se ele comprasse todas ações da carteira de referência. Além disso, as cotas dos ETFs são negociadas no pregão da bolsa de valores como se fossem ações.

Seu desempenho oscila conforme a performance dos papéis contemplados pela sua carteira. Da mesma forma, também responde à oferta e à demanda pelas cotas no mercado.

Basicamente, o It Now IDIV Fundo de Índice (DIVO11) performa de acordo com o desempenho de um pacote de ações das empresas com os maiores Dividend Yields representadas no IDIV.

Como o IDIV mede a quantidade de dividendos distribuídos em relação ao preço da ação no mercado, empresas com maiores Dividend Yield estariam mais descontadas com relação ao seu lucro distribuído.

Associa-se ao desempenho do ETF também às empresas de maiores Dividend Yield da bolsa dos últimos 24 meses.

Vantagens do DIVO11

Em primeiro lugar, entende-se que para uma empresa pagar muitos dividendos ela deve obter lucro em sua operação.

Dessa forma, se ela é uma constante pagadora de dividendos, é esperado que essas empresas sejam mais previsíveis em termos financeiros, ou seja, que tenham menos dívidas e mais recorrência de lucros.

Portanto, escolher ações com base no IDIV pode ajudar o investidor a trilhar um caminho pautado no ganho dos dividendos, além de se proteger de empresas com grande endividamento, evitar empresas com pouca geração de caixa e que não dão lucro.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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