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Indexadores econômicos: para que servem?

indexadores economicos

Indexadores econômicos desempenham um papel central no mercado financeiro, no entanto, nem todos sabem para que eles servem.

Indexadores econômicos são índices usados como referência para uma reajuste de  contrato ou do valor de um ativo.

Além disso, os indexadores econômicos servem de base para o reajuste de contratos na economia.

Qual importância dos indexadores econômicos?

Os indexadores econômicos são taxas de reajustes. Além disso, são uma forma de acompanhar a atividade econômica e controlar as operações registradas no mercado.

Basicamente, eles são utilizados para três finalidades: acompanhar a atividade econômica, corrigir preços e evitar volatilidade. Para que isso aconteça, se criou o índice com base em pesquisas e cálculos.

É importante saber a qual índice a aplicação está indexada e acompanhá-lo constantemente para verificar as mudanças. Isso vale principalmente se você pensa fazer o resgate antes do vencimento do título.

O motivo disso é porque rendimento dos títulos vão variar conforme a taxa paga no período. Sendo assim, se ela for mais baixa do que se contratou, haverá prejuízo.

Qual o impacto dos indexadores nos investimentos?

As aplicações pós-fixadas são totalmente dependentes da atuação de um indexador econômico e do valor dele para um determinado período escolhido. Nelas, a rentabilidade de seu investimento vai variar durante todo o período.

Os indexadores também têm impacto sobre aplicações híbridas, que pagam uma taxa fixa mais o desempenho de um índice. No entanto, esse impacto é menor do que o de aplicações pós-fixadas, que dependem totalmente do índice.

Já os ativos prefixados são totalmente independentes dos indexadores. Esses ativos são aqueles em que a rentabilidade é predefinida. Ou seja, já se sabe o rendimento desde o início.

Por conta disso, sua rentabilidade costuma ser expressa em percentual ao ano. Como consequência, muitos investidores os utilizam como proteção para a carteira em épocas de incertezas.

De forma geral, quando o indexador da sua aplicação sobe, o seu rendimento também aumenta no período.

Quais são os principais indexadores econômicos?

indicadores economicos 2

O mercado financeiro é composto por diversos tipos de aplicações. Sendo assim, existem também diversos indexadores econômicos de referência para elas. São eles:

  1. Selic;
  2. CDI;
  3. IPCA;
  4. IGP-M.

Taxa Selic

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira. Usa-se essa taxa em operações de curto prazo entre bancos que tenham como garantia títulos públicos.

A taxa Selic é revista a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), que pertence ao Banco Central. Ou seja, para monitorar o indicador, basta acessar o site do BC.

A Selic serve como referência direta para o Tesouro Selic. Quando a Selic sobe, o rendimento desse título, mais indicado para a reserva de emergência, também aumenta.

Por exemplo, se a taxa é de 2% ao ano, o Tesouro Selic vai pagar exatamente esse valor, sem descontar Imposto de Renda e taxa de custódia.

Além disso, a Selic também influencia diretamente o rendimento da poupança, que pela regra de 2020 é igual a 70% da taxa Selic vigente em determinado período.

A taxa básica de juros também tem impacto indireto em outros investimentos, pois é referência para o cálculo de outras taxas, como o CDI.

CDI

O Certificado de Depósitos Interbancários (CDI) é o mais conhecido indexador de investimentos de renda fixa. Ele controla os juros dos empréstimos feito entre bancos que não tenham como garantia títulos públicos.

Além disso, também se considera o CDI um benchmark da renda fixa, que significa o rendimento mínimo para que um investimento seja rentável.

O monitoramento do CDI pode ser feito pelo site da bolsa de valores brasileira, a B3. A variação da taxa costuma ser bastante semelhante à da Selic, geralmente 0,20 ponto porcentual a menos.

Sendo assim, se usa esse índice como referência para a maioria dos títulos privados, como CDBs, LCIs, LCAs, LCs, fundos DI, de renda fixa e debêntures.

IPCA

O Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) é o indicador oficial da inflação no Brasil. Embora existam outros indicadores como o INPC, a maior referência é o IPCA.

A inflação, por sua vez, tem impacto em todos os tipos de investimentos. Afinal, todo valor investido deve render mais do que a inflação no período.

Caso isso não aconteça, significa que a aplicação gerou prejuízo, já que o investimento reduziu o seu poder de compra.

Divulga-se o IPCA todo mês pelo site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  Esse instituto faz a pesquisa mensal, segundo uma cesta de produtos do POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares).

A coleta se baseia nas famílias com renda entre um e quarenta salários mínimos que residem nas áreas metropolitanas das principais regiões do Brasil.

O IPCA tem impacto direto sobre títulos públicos indexados a ele, como o Tesouro IPCA, que rende a taxa do IPCA no período mais um valor prefixado.

Por exemplo, suponha que o investidor comprou um título que lhe pague IPCA + 6% ao ano. Ainda, que a inflação de determinado ano foi de 10%.

Isto significa que o investidor terá como rendimento o total de 16%, pois esta é a soma da inflação com a parcela prefixada do título.

Nesses títulos, o indexador serve como uma proteção do poder de compra diante de possíveis altas de preços, especialmente em prazos mais longos.

Além disso, outros títulos, como CDBs, CRIs e debêntures também podem se indexar ao IPCA.

IGP-M

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) é outra forma de medir a variação de preços de produtos e serviços. Esse indexador é calculado pela FGV, onde também se pode acompanhá-lo.

Menos conhecido que o IPCA, o IGP-M pode servir como indexador para LCs, entre outros títulos, além de Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs).

Como serve para reajustar contratos de locação nestes fundos, quanto maior o seu valor, mais valorizada será a cota do fundo.

O IGPM influencia diretamente no desempenho desta aplicação através de fatores como, por exemplo:

  • Valorização das cotas;
  • Preço dos aluguéis dos imóveis;
  • Vacância para FIIs de imóveis físicos;
  • Rentabilidade dos FIIs de papéis.

O IGPM se destaca por ser conhecido com a “inflação do atacado”. Enquanto isso, o IPCA é a inflação que representa mais fielmente a alterações de preço para o consumidor.

Tendo em vista esses pontos, o conhecimento sobre os indexadores econômicos se mostra muito importante para os investimentos em renda fixa.  Afinal, eles têm impacto direto na taxa de rentabilidade das aplicações.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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