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Quais são os indicadores antecedentes?

indicadores antecedentes

Acompanhar a atividade econômica do Brasil é sempre interessante para quem investe no País. Por isso, pode ser bom conhecer sobre os indicadores antecedentes.

Os indicadores antecedentes se configuram como ferramentas de previsão de variáveis de interesse do gestor.

Algumas das variáveis observadas por eles são, por exemplo, no plano macro, a taxa de inflação, no plano micro, o faturamento de um setor. Vale conhecer alguns indicadores antecedentes.

Indicador antecedente da inflação

Em primeiro lugar, o sistema de metas para inflação requer do Banco Central uma atitude antecipada na fixação dos seus instrumentos de política monetária.

Isso acontece em função das conhecidas defasagens do seu mecanismo de transmissão.

Sendo assim, é fundamental a utilização de técnicas econômicas de previsão para estudar as repercussões de choques sobre a trajetória futura da inflação.

Além disso, as previsões macroeconômicas têm como objetivo produzir a melhor base de dados possível para ajudar no processo de decisões.

No entanto, há diferentes abordagens que visam a previsão de uma variável. São elas:

  • Modelos estruturais;
  • Modelos não estruturais.

Em linhas gerais, os modelos estruturais de previsão se constroem para aproveitar relações teóricas conhecidas entre algumas variáveis da macroeconomia. Já os modelos não-estruturais usam somente relações estatísticas entre variáveis.

Além disso, os dois modelos podem se usar de forma a reunir choques que possam afetar a trajetória futura da variável projetada.

Historicamente, os primeiros indicadores antecedentes foram construídos na década de 30. Desde então, se usa os indicadores para previsão de mudanças nos ciclos econômicos.

Desde 1961, o Departamento do Comércio dos EUA divulga estimativas por mês desses indicadores.

Sendo assim, eles procuram apontar com antecedência fases de crescimento e de recessão da economia americana.

Outros países também funcionam assim, como, por exemplo, o Canadá, Japão e Reino Unido.

Entretanto, somente a partir na década de 80 se iniciou o desenvolvimento de técnicas de construção de indicadores antecedentes de inflação no Brasil.

Funcionamento desse indicador

indicadores atencedentes 2

Diferente dos métodos de regressão econômica, o principal benefício desses indicadores está em obter sinais de possíveis pontos de inflexão da inflação.

Assim sendo, essa metodologia consiste em extrair do comportamento de uma ou mais variáveis movimentos que antecedam a evolução da inflação no País.

Essa antecipação, portanto, é possível quando há uma ordem de tempo no processo produtivo.

Os indicadores antecedentes, a exemplo dos modelos não-estruturais, utilizam pouca teoria econômica. Isso acontece porque não se cria os indicadores para capturar uma relação de causa e efeito.

Por isso, o comportamento de uma variável pode refletir choques não relacionados àquela que se pretende prever.

A criação de um indicador composto que tenha um componente comum entre as variáveis deseja, portanto, diminuir essa consequência.

Sendo assim, se usa o algoritmo do filtro de Kalman como ferramenta para combinação das variáveis.

Na etapa de seleção das variáveis candidatas para participar dos indicadores se analisam as relações com a inflação. Da mesma forma, Ttambém se avaliam na etapa de avaliação do seu poder de previsão.

Além disso, se faz diversos testes econômicos também. Esses processos visam garantir um bom poder de previsão e estabilidade do indicador composto.

Com o propósito de criar indicadores antecedentes para a inflação no Brasil, se avaliou mais de 200 séries econômicas.

Através desses testes, se selecionou 49 variáveis candidatas divididas em temas como:

  • Moeda e finanças;
  • Emprego e salário;
  • Preços;
  • Nível da atividade;
  • Setor externo.

Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE)

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o The Conference Board (TCB), produz um indicador antecedente também.

Esse indicador, por sua vez, se apresenta todo mês com objetivo de antecipar a direção da economia brasileira no curto prazo. Ele se chama Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE).

O IACE reúne uma série de indicadores importantes para tentar antecipar se a economia do País tende a entrar em crise no futuro. Além disso, também se observa se a economia vai aproveitar um momento de crescimento.

Considerado bem completo, esse indicador antecedente tem uma lista de componentes, sendo eles:

  1. Índice de Expectativas da Indústria;
  2. Índice de Expectativas dos Serviços;
  3. Taxa referencial de swaps DI pré-fixada, 360 dias;
  4. Índice de Expectativas do Consumidor;
  5. Índice de produção física de bens de consumo duráveis;
  6. Ibovespa;
  7. Índice de Termos de troca;
  8. Índice de quantum de exportações.

O indicador permite uma comparação direta dos ciclos econômicos do Brasil com os de outros 11 países já cobertos pelo TCB. Esses países são: China; Estados Unidos, Zona do Euro, Austrália, França, Alemanha, Japão, México, Coréia, Espanha e Reino Unido.

O próprio FGV é a instituição que costuma fazer a datação dos ciclos econômicos do nosso País. Isso mostra a importância deste indicador.

A instituição reúne pessoas do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE). Com eles, avaliam quando uma crise começou e quando ela terminou no Brasil.

Da mesma forma, a FGV também observa como se mostra o período de crescimento do mercado.

Com uma série desde 1996, o IACE antecipou todas as quatro recessões. O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos do IBRE (CODACE) foi quem fez essas identificações durante este período.

Indicador Antecedente Composto (CLI) da OECD

Além desses apresentados, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico (OCDE) também desenvolveu indicadores antecedentes dos 40 principais países do mundo.

Bastante rico, esse indicador reflete os sinais indicados por variáveis importantes como, por exemplo:

  • Produção industrial;
  • Tendências de negócios e consumo,
  • Variáveis de negócio que acompanham o tempo de entregas,
  • Estoque e novas encomendas;
  • Comércio mundial;
  • Construção civil;
  • Consumo doméstico;
  • Mercado de trabalho;
  • Índice de preços ao consumidor e produtor;
  • Taxa de juros e de câmbio.

A potência de previsão desse indicador pode se observar pelo próprio desempenho do PIB brasileiro, por exemplo.

A série do PIB divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem seu resultado acumulado em 4 trimestres.

Isso serve como uma das formas de acompanhar o ritmo da atividade econômica. Afinal, as informações de crescimento trimestrais são importantes.

Essa medida de análise é a melhor para avaliar a tendência. Portanto, sua comparação com o CLI é melhor.

Por fim, é bom ressaltar que a OECD elabora esse indicador para uma quantidade grande de países.

Sendo assim, isso facilita muito para quem precisa acompanhar o ritmo da atividade no cenário mundial.

Os indicadores antecedentes oferecem uma importante ferramenta de planejamento estratégico. E, além disso, garantem a melhoria no desempenho de longo prazo.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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