Joint Venture: entenda como funciona esse tipo de parceria empresarial

joint venture

A forma como o mercado globalizado atua em relação com as novas demandas e tecnologias propicia o surgimento de novos modelos de negócios e novas estruturas empresariais. Um dos mais populares processos no mundo dos negócios é o joint venture.

A joint venture funciona como uma coligação ou associação entre duas empresas que propriamente não se unificam, mas que trabalham em conjunto em prol de um objetivo ou benefício. Essa associação propicia trocas e subsidia investimentos diante novos objetivos.

Portanto, a joint venture é uma forma de conexão ou contrato de sociedade entre duas (ou mais) empresas. Seu objetivo é diverso e varia entre: criar um novo mercado, produto ou serviço (trabalhando com nichos) e até mesmo, aprimorar o negócio já existente.

Quais os princípios e usos do Joint Venture?

O joint venture, também conhecido como empreendimento conjunto ou aliança entre empresas, pode atuar como uma colaboração, união temporária ou sociedade em que ambas as empresas participem, desde que não exista fusão ou incorporação.

Contudo, as usabilidades e as características de uma joint venture são:

  • Superar barreiras comerciais do mercado e competir de forma mais eficiente contra o setor originário, competir em um novo setor ou criar um novo setor (nicho);
  • Internacionalização: suprir a necessidade de chegar aos mercados estrangeiros com investimentos e conhecimentos específicos do país. Geralmente, essa modalidade de joint venture atua por meio da união com empresas do exterior;
  • Capitalização: investir em determinados negócios cujos resultados são alcançados em longo prazo, como exploração de recursos naturais e financeiros (como é o caso das fintechs). Geralmente, é comum que empresas se unam com empresas grandes;
  • Desenvolvimento: fazem essa associação em busca de materiais, técnicas e expertise que proporcionem ou possibilitem a melhoria de suas atividades. Geralmente, empresas que tem know-how e técnicas que a outra empresa desconhece ou vice-versa.

Quais os tipos de joint venture existentes?

Com o surgimento de novas empresas e parceria entre empresas já existentes, é comum a utilização de joint venture, mas quais tipos de joint venture existentes?

No âmbito jurídico:

  • Joint venture contratual: atua como um acordo entre empresas, no qual não existe formação de uma nova empresa e, por isso, não apresenta figura jurídica (CNPJ);
  • Joint venture societária: se aplica a criação de uma nova empresa que tem figura jurídica própria e dispare das já existentes (dispare das empresas que compõe esse novo eixo).

No âmbito econômico:

  • Equity joint venture: em que há associação de aportes ou capitais, ou seja, os ganhos são vinculados;
  • Non equity joint venture: não há associação de capitais na criação dessa nova empresa.

Para melhor clarificar esses conceitos, vejamos alguns exemplos de joint venture que se destacaram pelo seu projeto conjunto e notoriedade:

Autolatina

Foi uma cooperação que existiu entre 1987 até 1996 entre Volkswagen e Ford. Seu objetivo era o compartilhamento de custos de montagem, produção e comércio. Além disso, a parceria tinha foco no fortalecimento das marcas;

Nestea ou Beverage Partners Worldwide

Foi joint venture formada pelas gigantes do mercado Coca-Cola Company e a Nestlé. Seu objetivo era a produção e venda de chá pronto e atuou entre 2001 até 2017;

Lipton Ice Tea

É uma joint venture criada em 2003 entre os gigantes PepsiCo e Unilever. Seu objetivo é atingir o mercado brasileiro, fabricação e venda de chá pronto;

Samarco Mineração S.A.

É uma joint venture formada entre as mineradoras Vale S.A.(brasileira) e BHP Billiton (australiana). Seu objetivo é a exploração do minério de ferro no Brasil e se tornou uma das maiores exportadoras de minérios a nível global;

Simba Content

É uma joint venture entre o Grupo Record, SBT e RedeTV!, criada em 2016. Seu objetivo é negociar os direitos de conteúdo com operadoras, produção de canais alternativos para a TV paga e distribuição de conteúdo para streaming.

Seja qual for o setor, existem diversos tipos de joint venture.

Porém, as áreas tecnológicas, indústria alimentícia e automobilística tendem a concentrar o maior número de joint ventures. Isso se dá pelo fator desenvolvimento, expansão e necessidades do mundo globalizado.

Quais as vantagens do joint venture?


O mundo dos empreendimentos em conjunto não é uma tarefa simples. Por isso, é importante estar consciente de suas desvantagens e vantagens.

Sendo assim, sobre a modalidade do empreendimento em conjunto e as vantagens da joint venture, é possível elencar:

  • Diminuição de riscos econômicos nos investimentos de longo prazo: já que as empresas compartilham custos e riscos nos projetos;
  • Oportunidade de aprendizagem entre empresas: determinada empresa terá um aporte teórico-prático diferente ou até mesmo melhor em alguns aspectos. Isso pode ser usado em favor da outra empresa e vice-versa;
  • Expansão das atividades: com a criação dessa nova ramificação, é possível expandir para um novo mundo ou simplesmente aumentar sua atividade já existente devido essa nova força motriz;
  • Aumento da eficiência de seus serviços e competitividade: diferente das demais empresas do setor, essa será uma empresa a parte, mas com a expertise de duas ou várias empresas em jogo. Ou seja, maior potencial e força;
  • Ampliação de publico alvo: geralmente, se pauta em novos nichos que antes não eram atingidos. Mas existem até públicos que não eram contemplados no mesmo setor da empresa originária e que podem passar a ser contemplados com a nova empresa;
  • Compartilhamento de estruturas e informações: existe uma forte modalidade de troca de conceitos e conhecimentos numa estrutura de joint venture. Além disso, por ser uma nova empresa é possível até mesmo que o espaço seja compartilhado.

Apesar de tudo, uma joint venture pode apresentar um grande risco de fracasso na questão dos objetivos, pois a dinâmica de trabalho entre duas empresas distintas é algo que torna mais complexo de se atingir a proposição única.

Por fim, a joint venture requer tempo na tomada de suas decisões, o que pode torná-la menos flexível, e suas ideias dependerá das vontades e empresas envolvidas. Portanto, cabem às empresas pesar todos os conceitos e objetivos, e assim, avaliar sua viabilidade. Mais conteúdos? Inscreva-se no nosso Whatsapp.

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Arthur Dantas Lemos

Arthur Dantas Lemos

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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