Proventos: é possível viver de renda passiva?

proventos

Além de poder lucrar com a valorização das ações, o investidor também pode se beneficiar com a distribuição de parte dos resultados da companhia, a isso denominados proventos, que podem ser de diferentes tipos.

Neste texto, abordaremos cada um dos principais proventos e todos os detalhes e vantagens que você precisa saber sobre esse benefício da renda variável que pode ser uma boa estratégia de renda passiva.

O que são proventos?

Quando você compra uma ação, você se torna sócio daquela empresa e passa a se beneficiar da oscilação do papel no mercado. Contudo, há outros privilégios a que você também tem direito, os chamados proventos.

Provento é um benefício que a companhia deve aos seus sócios, sendo que os principais tipos são: dividendos, juros sobre capital próprio, bonificação e direitos de subscrição.

Esses benefícios podem ser em dinheiro ou em ações e chegam ao investidor pela corretora ou conta bancária, processo que é intermediado pela CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia).

Alguns investidores possuem vantagens sobre outros. É o caso, por exemplo, dos acionistas de ações preferenciais (PN), tipo de papel que gera mais vantagens econômicas e que pode significar determinados tipos de regalias extras, como prioridade, quantidades diferenciadas ou mesmo valores.

Tipo de proventos

Abaixo estão listados os proventos mais comuns (e mais cobiçados pelos investidores):

Dividendos

O tipo mais conhecido de proventos são os dividendos. Isso porque a Lei das Sociedades por Ações prevê obrigatoriedade de pagamento desse tipo de provento caso a empresa obtenha lucro no resultado.

Os dividendos são uma parcela do lucro da companhia que pode ser distribuído aos acionistas mais de uma vez ao ano. Dessa forma, a empresa paga uma parcela do seu lucro aos sócios e reinveste a outra parte.

Não incidem tributos sobre os dividendos, já que a empresa paga o Imposto de Renda referente antes de repassar aos acionistas.

Existe, por fim, o dividendo especial extraordinário, que como o próprio nome já sugere, é um tipo de provento extra realizado pela empresa. Pode ser pago por diversos motivos, como ganhos inesperados, por exemplo.

Juros sobre Capital Próprio

Já os Juros sobre Capital Próprio (JCP ou JSCP)  também advém do lucro das empresas. No entanto, para o investidor, a diferença prática dele para o dividendo é fiscal: no JCP incide a cobrança de 15% de Imposto de Renda já retido na fonte.

Bonificação

Diferentemente dos JCP e dividendos, a bonificação, no geral, é paga em ações. Esse tipo de provento ocorre quando a companhia decide distribuir aos acionistas o lucro acumulado na conta de reservas.

A companhia redistribui valores, o que geralmente faz o preço da ação cair, entretanto não há alteração no patrimônio total, já que o acionista receberá gratuitamente mais papéis da empresa, bastando ter ações da companhia na data de corte da oferta.

A princípio não parece algo vantajoso, contudo, isso faz, por exemplo, com que os sócios tenham direito a mais dividendos nas próximas rodadas de distribuição, já que agora tem mais papéis na carteira.

Direitos de subscrição

Esse tipo de provento ocorre quando a empresa decide colocar mais ações no mercado e dá aos acionistas o direito de adquirir novos papéis para que ele possa preservar sua proporção de ações.

Caso o investidor não opte por comprar, ele pode negociar o direito de subscrição no mercado até o prazo determinado. É importante que o investidor analise se o preço da oferta está menor que o praticado no mercado, caso contrário, a compra pode não ser vantajosa.

Cálculo de proventos

Para calcular a quantia que receberá, é necessário multiplicar o número de ações pelo valor por lote, levando sempre em consideração o tipo de provento (por exemplo, nos Juros sobre Capital Próprio é necessário incluir o Imposto de Renda no cálculo).

Em levantamento feito pelo Comdinheiro é possível ver um exemplo de histórico de proventos pagos pela Petrobras (PETR4):

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Fonte: Comdinheiro

É fundamental que o investidor conheça algumas datas para que faça o acompanhamento dos seus proventos:

Data de declaração

Essa é a data em que o conselho de administração faz o anúncio que haverá distribuição de proventos, notificando as informações básicas que os sócios devem estar atentos.

Data de registro

Data que a empresa registra os acionistas que estão aptos para o recebimento do valor distribuído.

Último dia com

O último dia que a ação possui o direito ao dividendo ou JCP é chamado de último dia com. Logo, a distribuição de proventos é feita ao investidor que possua os papéis até o dia com.

Data ex-dividendo

Após o dia “com”, a ação não possui mais direito àqueles proventos e começa a ser negociada como data ex. Quem compra a ação a partir deste dia já não tem mais o direito aos proventos daquele exercício.

Data de pagamento

Apenas neste dia ocorre o pagamento dos proventos devidos ao investidor. É fundamental que o investidor consulte essas datas para que faça um melhor planejamento de cada ação da carteira.

Por que as empresas pagam proventos?

As empresas de capital aberto comumente distribuem 25% do lucro líquido em proventos de forma proporcional à quantidade de ações de cada acionista.

No entanto, cabe ao estatuto social da empresa dizer o percentual que será repartido entre os investidores. Isso é divulgado para o mercado por meio de fato relevante.

Pagar dividendos atrai acionistas, mostra solidez no mercado. Isso é mais vantajoso para a companhia do que manter dinheiro parado no caixa. Contudo, nem sempre esse é o cenário da empresa, e é válido lembrar que caso ela não obtenha lucro, dividendos não são distribuídos.

Os pagamentos geralmente são feitos de forma trimestral, mas podem variar de empresa para empresa. Bancos costumam pagar mensalmente, por exemplo.

Outro ponto relevante é que as empresas usam os Juros sobre Capital Próprio como forma de minimizar o valor pago em tributos ao contabilizar os JCP como despesas financeiras.

Mas afinal, é possível viver de proventos?

Sim. Em primeiro lugar, é importante lembrar que o primeiro passo para receber proventos é o investimento em ações. Em segundo lugar, faz-se primordial uma análise das empresas que têm um horizonte de crescimento, já que quanto maiores os lucros, maiores os dividendos.

Além disso, o Dividend Yield (DY) é outra métrica que o investidor deve ficar atento. Esse indicador é uma divisão da soma dos dividendos pagos, nos últimos 12 meses, pelo preço da ação correspondente.

Ele consegue demonstrar se a empresa é historicamente uma boa pagadora de dividendos. Abaixo, temos um exemplo de ranking com base em Dividend Yield:

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Fonte: Comdinheiro

No entanto, o Dividend Yield não deve ser analisado de forma isolada. É fundamental identificar se a empresa consegue manter os repasses constantes.

Investigar o setor de atuação (se sofre muito com momentos de crise), a solidez, se a companhia necessita de investimentos estruturais, fazer uma boa análise fundamentalista e ter um foco no longo prazo são boas práticas para o investidor com foco em proventos.

Reinvestir os proventos pode ser uma boa estratégia para aumentar os rendimentos, já que gerará ainda mais rendimentos futuros, aumentando cada vez mais o montante recebido.

Além disso, investir em cotas de fundos imobiliários (FIIs) também pode ser uma boa prática para diversificação da carteira de dividendos, já que esses ativos também possuem essa prerrogativa.

Entender os proventos aumenta as possibilidades de geração de lucros com ações e, se bem analisado e planejado, pode se tornar uma estratégia assertiva de renda passiva.

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