Taxa Referencial: entenda como funciona o cálculo

curva de juros

Criada na década de 1990,  durante o governo de Fernando Collor de Mello, a Taxa Referencial tinha como objetivo ser uma taxa de juros de referência.

No entanto, atualmente, a função da Taxa Referencial serve como um indicador para a atualização monetária de algumas aplicações financeiras e operações de crédito.

Portanto, isso significa dizer que se usa a Taxa Referencial para corrigir os valores ao longo do tempo, da mesma forma como se toma como parâmetro um índice de inflação, por exemplo.

Entendendo a Taxa Referencial

Como dito, a Taxa Referencial de Juros surgiu no início da década de 90. A TR, como também se chama, era uma medida contingencial que se usou para controlar a inflação naquela época.

No entanto, ela se tornou um indexador econômico brasileiro com o tempo. Além disso, a TR se classifica em:

  • Diária;
  • Mensal;
  • Anual.

Sendo assim, ela serve de referência para diversas situações no mercado financeiro. Com ela, é possível corrigir o valor de indicadores de remunerações ou investimentos como a poupança.

Seu cálculo se baseia na média dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) prefixados no mercado através da Taxa Básica Financeira (TBF).

No entanto, mesmo não sendo diretamente ligada à taxa Selic, a TR acompanha seu valor. Caso a Selic baixe, as taxas pré-fixadas irão reduzir de forma automática.

Como calcular a Taxa Referencial de Juros?

O cálculo da Taxa Referencial de Juros se dá através da calculadora do cidadão, que pode ser encontrada dentro do site do Banco Central do Brasil (Bacen). Esta, por sua vez, permite o usuário fazer a simulação para juros em suas operações.

No entanto, se deve fazer o cálculo apenas como referência para situações reais e não como valores oficiais, de acordo com informações do site do Banco Central.

Calculadora do Cidadão

É possível conseguir o resultado da taxa referencial através da calculadora do cidadão. Dessa forma, ele se dá através de taxa fixa tanto para cálculos mensais quanto diários.

  • Taxa Referencial Mensal: o tipo de cálculo nessa variação é feito de acordo com o tempo em que a aplicação permaneceu investida, levando em conta 23 dias de um mês. A soma da TR diária resulta no valor da taxa mensal.
  • Taxa Referencial Diária: também divulgada pelo Banco Central, ela corresponde a uma porcentagem diária do valor mensal. Portanto, quando o investidor decide resgatar um investimento antes do período que se acordou, o reajuste no valor dos juros que correu acontece com base na data certa.

Sendo assim, a calculadora do cidadão usa dados diários das taxas de juros dos CDBs das 30 maiores instituições financeiras do Brasil.

Logo, a partir da TBF, uma equação é liberada para saber o valor correspondente aos juros compostos. O Banco Central (BC) calcula a Taxa Referencial usando a seguinte fórmula: R = a+b x TBF. Na qual:

  • R = é o redutor;
  • a = valor fixo igual a 1,005;
  • b = depende do valor da TBF;
  • TBF = Tarifa Básica Financeira.

Contudo, para quem não souber fazer a conta ou mesmo não queira fazê-la, o Bacen disponibiliza a calculadora para inserir os dados necessários e realizar o cálculo. Com ela, o usuário já sabe qual o valor dos juros a cobrar.

Como a Taxa Referencial atua nos investimentos e pagamentos?

taxa referencial

De início, vale dizer que a Taxa Referencial impacta diretamente em diversas aplicações populares do País enquanto um indexador.  Portanto, é importante ter uma noção de como ela funciona nessas situações. Conheça algumas.

Poupança

A caderneta de poupança é uma das mais famosas formas que a população usa para investir seu dinheiro e fazer com que ele renda.

Para saber a rentabilidade que esse dinheiro trará em médio, longo ou curto prazo, é necessário ter a Taxa Selic como base juntamente com a Taxa Referencial.

Sendo assim, a remuneração da poupança está atrelada à TR. Então, quando essa taxa aumenta ou diminui, isso tem um impacto direto sobre quanto a caderneta rende.

Portanto, caso a taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento na poupança será de 0,5 ao mês mais o valor da Taxa Referencial.

No entanto, se a Selic se encontrar abaixo de 8,5% ao ano, a rentabilidade será de 70% da Selic. Vale lembrar que não importa qual é a situação, a TR sempre interfere na rentabilidade da caderneta.

Financiamentos Imobiliários

Nesse caso, a Taxa Referencial se aplica apenas sobre o financiamento de imóveis do programa Sistema Financeiro de Habitação (SFH) da Caixa Econômica Federal.

Sendo assim, o valor do financiamento é corrigido por juros que são definidos pela própria Caixa juntamente com a Taxa Referencial. No entanto, nem todos os contratos seguem esse modelo.

Alguns têm o saldo devedor atualizado por um índice de inflação, como o INCC (Índice Nacional de Custo de Construção), o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) ou até o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

FGTS

Quanto ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ele é calculado em 3% ao ano mais a Taxa Referencial. Portanto, assim como no caso da poupança, quando há uma elevação ou uma redução no valor da Taxa Referencial, isso reflete no retorno do FGTS também.

Vale ressaltar que quem tem contrato de trabalho regido pela CLT tem direito a esse benefício, sendo um depósito mensal no valor de 8% do salário em uma conta.

Títulos de Capitalização

Embora não sejam considerados investimentos, os Títulos de Capitalização são aplicações que os bancos oferecem nas quais os rendimentos estão atrelados à TR correspondente ao tempo em que o dinheiro ficou aplicado.

Os títulos de capitalização oferecem atualização monetária pela TR para os valores que ficam depositados até o vencimento. No entanto, não é toda vez que eles pagam juros ou outra espécie de remuneração além disso.

Dessa forma, o valor da TR importa muito para quem adquire esse produto. Quanto menor ou maior for o valor da taxa, menor ou maior será o retorno financeiro.

Títulos Públicos

Por fim, alguns títulos do Tesouro Direto emitidos pelo Governo Federal, como, por exemplo, o NTN-H e o NTN-P, têm seus rendimentos atrelados à Taxa Referencial.

Visto esses exemplos, percebe-se que Taxa Referencial continua sendo muito presente pois é referência para aplicações financeiras muito comuns entre os brasileiros, como é o caso da poupança.

Como se calcula a Taxa Referencial?

Seu cálculo se baseia na média dos CDBs (certificados de depósitos bancários) prefixados no mercado através da Taxa Básica Financeira (TBF).

Como a Taxa Referencial interfere no mercado?

A Taxa Referencial impacta diretamente em diversa aplicações populares no Brasil enquanto um indexador. São eles, por exemplo, a poupança e títulos públicos.

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Arthur Dantas Lemos

Arthur Dantas Lemos

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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