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Entenda os vieses do investidor!

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O nosso cérebro pode ser um grande aliado ou inimigo, tudo depende da forma que fazemos uso da nossa capacidade mental. Uma forma de conseguir distinguir as melhores atividades na tomada de decisões, é através do conhecimento dos vieses.

Saber sobre os vieses permite identificar as nossas tendências comportamentais, bem como diferenciar o real do irreal. Alguém que faz investimentos, por exemplo, precisa entender que não são apenas os fatores externos que influenciam em uma boa ou má escolha.

Seja em investimentos altos ou baixos, em renda fixa ou renda variável, o investidor precisa entender a diversificação de possibilidades. Oscilações nos valores e ocasiões de perda são alguns dos tantos fatores que exigem conhecimento prévio e preparo psicológico.

O que são os vieses?

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De maneira geral, os vieses dizem respeito aos hábitos tendenciosos que podemos ter no dia a dia. Isto é, baseado em hábitos, nos tornamos imparciais.

Com os vises do investidor, a realidade não é diferente. Fundamentados em costumes, os investidores podem tomar decisões pouco inteligentes e que, podem trazer grandes prejuízos nas finanças.

Mas tudo isso acontece com a sensação de que são decisões “mais seguras”. Ou seja, são induzidos ao erro sem ao menos perceberem que caminham nessa direção.

Como investir dinheiro com segurança e de maneira inteligente?

Com certeza você já ouviu a frase “a pressa é inimiga da perfeição”, mas também deve ter escutado “o feito é melhor do que perfeito”.

Ambas as alternativas estão corretas, por dois motivos específicos:

  • É preciso ter base para executar algo com menores chances de erro;
  • É preciso ter pele no jogo para conhecer o “terreno em que se está pisando” e entender quais são os seus limites.

Afinal, conhecimento não é experiência e experiências de outras pessoas também não são vivências efetivas.

Isso não é bom e nem é ruim, são apenas variações de perspectivas acerca de uma realidade. Por isso, a falta de preparo dos fenômenos emocionais é perigosa.

Ou seja, não se deve apenas questionar como investir, mas de qual forma perder o medo de investir e de que maneira desenvolver a mente de um investidor profissional.

A falta das perguntas corretas tendem a distanciar o futuro investidor de respostas sóbrias. Levando a inserção ilimitada aos vieses. 

Como funciona a mente de um investidor?

A psicologia comportamental aponta que os seres humanos possuem interações entre atitudes físicas e mentais. Isto significa que, nossas resoluções são frutos de causas internas e externas. Para aprender a lidar com esses agentes, é preciso conhecê-los.

A educação financeira é uma das pontes que ajudam pessoas que não estão investindo, mas possuem o desejo de realizar investimentos, a encontrar formas reais de se tornarem investidores profissionais. 

Alguns vieses comportamentais do investidor podem ser auto destrutivos. Por isso, é essencial possuir conhecimento acerca dos atalhos mentais e desenvolver formas de gerenciamento de condutas.

Quais são os vieses do investidor?

Diversos fatores psicológicos são negligenciados na hora do investimento, isso acontece porque a maioria das pessoas acreditam que, para ser um investidor, é preciso apenas investir.

Na verdade, são necessárias outras qualidades para formar um bom investidor.

Um dos pressupostos da Programação Neurolinguística (PNL), é a de que “o mapa não é território”. Ou seja, o que você vê tem uma alta tendência de não ser plenamente o fato. 

Grande parte dos conflitos são criados a partir da visão limitada sobre algo, nesse caso, o investimento. Por exemplo, a raiva, o estresse, a ansiedade, a fome ou qualquer outro quesito interno pode influenciar negativamente em um investimento.

Os vieses são divididos em 7 categorias:

  1. Ancoragem;
  2. Aversão à perda;
  3. Falácia do jogador;
  4. Viés da confirmação;
  5. Lacunas de empatia;
  6. Autoconfiança excessiva;
  7. Efeito enquadramento.

1. Ancoragem

O princípio do viés da ancoragem é que todo consumidor é aludido por opiniões e informações prévias e que elas influenciam em sua decisão. 

Não somente nas decisões, mas também, na sua percepção de valores, formulação de estimativas e até mesmo no grau de relevância para determinados investimentos e ações.

Por isso, a melhor maneira de não ser impactado pelo viés da ancoragem, é refletir sobre o motivo ou o por que das suas decisões.

  • Atenção redobrada aos valores adotados como referência;
  • Evitar tomada de decisão por impulso;
  • Usar a experiência de terceiros ao seu favor.

2. Aversão à perda

O viés da aversão à perda está diretamente ligada a dor da perda. Isto é, alguns investidores têm medo de arriscar ganhar mais, se o possível ganho envolver uma maior chance de perda.

Para lidar de maneira racional com o viés da aversão à perda, é preciso desenvolver a percepção de algumas condições.

  • Elaborar uma estratégia de investimentos;
  • Evitar tomar decisões financeiras sob pressão;
  • Admitir eventuais erros e buscar corrigi-los.

3. Falácia do jogador

A falácia do jogador, também conhecida como falácia do apostador ou falácia de Monte Carlo, diz respeito à falha de compreensão para calcular a probabilidade de um acontecimento baseado na quantidade de vezes que ele já aconteceu.

Ou seja, esse viés está totalmente ligado à crenças. Não está ancorado em nenhuma realidade ou dados próprios. Por exemplo, imaginar que um investimento vai sair ganhando porque ele já perdeu repetidas vezes em um determinado período.

Para conseguir resolver o viés da falácia do jogador, é necessário que o investidor esteja atento.

  • Acompanhar notícias sobre o mercado financeiro;
  • Compreender como funcionam as probabilidades de maneira lógica;
  • Ter consciência de que ganhos ou perdas passadas não significam realidade igual em um futuro.

4. Viés da confirmação

O viés da confirmação funciona de maneira para comprovar crenças previamente estabelecidas. Ou seja, não se baseia na verdade do episódio atual e sim, no que foi construído anteriormente.

Para se distanciar do viés da confirmação, é preciso antes de tudo, quebrar a crença de uma verdade imutável e única. No mundo dos investimentos, é preciso fortalecer a razão da análise acima de convicções.

É melhor admitir que estava errado acerca de um investimento depois de ganhar dinheiro, do que perder dinheiro pelo ego em se vislumbrar conhecedor da verdade.

Além disso, outras atitudes são necessárias para ter uma visão mais ampla, fora do viés da confirmação.

  • Perceber as situações em que o viés da confirmação está presente;
  • Adquirir conhecimento e pesquisar bastante;
  • Comparar diversas fontes de informação.

5. Lacunas de empatia

O viés das lacunas de empatia diz respeito a oscilação de humor atrelada à emoção. Os estados “quente-frio” em variações incessantes faz com que o investidor se entregue ao momento de exaltação. 

Para saber controlar as lacunas de empatia, não é apenas preciso saber aproveitar os bons momentos. É igualmente necessário aprender a lidar com as más ocasiões. 

  • Adiar decisões financeiras em momentos de agitação emocional;
  • Estabelecer um período para acompanhamento dos investimentos (não é necessário ter visualização diária nas oscilações);
  • Não tomar decisões de investimentos em estado ‘quente’.

6. Autoconfiança excessiva

O viés da autoconfiança excessiva comprova que o medo, na medida certa, pode ser um ótimo regulador de riscos. O investidor que possui a autoconfiança de forma desproporcional, está fadado a correr perigos desnecessários e a tomar más decisões.

O viés da autoconfiança excessiva, está diretamente ligado ao viés da confirmação. Ou seja, nem sempre confiar no próprio taco é suficiente para realizar bons investimentos e demais atividades financeiras.

Para saber qual é a linha tênue da autoconfiança e não ultrapassar o limite que pode definir o sucesso ou o insucesso de um investimento, é básico entender alguns pontos.

  • Ter uma diversificação nos investimentos;
  • Sempre dedicar tempo em mais conhecimento. Desde cursos e livros, até mesmo contar com acompanhamento profissional que não esteja ligado à instituições financeiras;
  • Calcular impactos dos investimentos.

7. Efeito enquadramento

O viés do efeito enquadramento está presente não apenas no campo do investimento, mas em diferentes áreas e costuma passar despercebido. 

As pessoas possuem mais aversão ao risco quando se trata de possíveis ganhos e possuem mais disposição para correr riscos quando a situação envolve possível impedimento ou compensação de perda.

Para fugir da recorrente escolha de uma alternativa menos vantajosa só porque possui “menos risco”, é primordial modificar a maneira de encarar as consequências dos fatos.

  • Visualizar o mesmo investimento sob variados pontos de vista;
  • Questionar as possibilidades de ganhos e perdas;
  • Identificar possíveis pontos de conflitos de interesse.

Como tomar boas decisões e não se render aos vieses?

Depois de conhecer os atalhos mentais, pode ser complicado saber como gerenciar as ações cerebrais de modo financeiramente positivo. Para tomar boas decisões, não basta apenas saber quais são as más escolhas.

Por isso, é preciso construir um chão cada vez mais sólido com conhecimento e informação. No entanto, não é recomendável se prender sempre a antigas crenças.

A consciência, assim como a concepção de uma cultura de investimento é vital para trazer resultados positivos ao investidor. Portanto, é essencial saber e administrar o aparecimento dos vieses.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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