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Comprar ações: 7 cuidados e dicas para investir em ações

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Na hora de comprar ações muitas pessoas desejam encontrar qual é a melhor ação, ou então, qual será a próxima Magazine Luiza da vez.

Porém, muitas pessoas se perdem entre as oscilações no preço do papel, ou até mesmo na hora de comprar ações ficam em dúvida entre quais deveriam adquirir, especialmente se forem empresas do mesmo setor. Isso pode ser bem frustrante, exigindo tempo demais para pesquisa ou até mesmo ocasionando em algumas  perdas.

Por isso, você precisa de um método que agilize sua decisão de comprar ações com qualidade, de escolher quais manter ou quais serão vendidas. Mas para isso, primeiramente, é preciso simplificar.

Para isso, trarei algumas dicas que uso nas minhas consultorias e que vai ajudar você montar seu próprio método para investir em ações.

7 cuidados e dicas para investir em ações

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Simplifique para ganhar dinheiro

Os vieses cognitivos são inerentes ao ser humano. Mas, quando falo de método, muitas pessoas pensam logo em alta complexidade, algo que chega até a ser impraticável.

Isso me deixa realmente preocupado. Entendo que você pode estar começando, que talvez ainda seja leigo no assunto, por isso é preciso separar uma coisa da outra.

Vejo muitas pessoas que trabalham com investimentos, que querem ensinar para investidores comuns os “pronunciamentos contábeis” e outro monte de tecnicidade que é pouco eficiente na vida real.

Basicamente, o que quero dizer é que em um curso sobre como investir em ações para a pessoa comum, querer que se tenha o entendimento sobre contabilidade, investimentos e mercado, por vezes, não condiz com a realidade.

Por exemplo, o seu método tem que ser simples e te ajudar a responder com facilidade se é melhor comprar ‘Empresa V’ a R$31,50 ou ‘Empresa Z’ a R$16,10.

Cuidado: sempre vão tentar te vender as melhores práticas 

Nesse ponto surge a dúvida, devo seguir as melhores práticas? Não, você não deve seguir as melhores práticas.  

Se você for seguir os principais gestores e ver o que é que eles estão dizendo sobre aquilo que o investidor “deveria ter”do ponto de vista educacional, vai viver a sua vida inteira em um campo de frustração. 

Você pode nunca entender ¼ do que um gestor entende ou do que ele entende que é necessário para analisar uma empresa e definir se deve-se comprar ou não uma ação. Claro, o gestor é especialista nisso, ele vive disso. 

Se você não trabalha com o mercado financeiro, se não vive de ações, não faz o menor sentido querer se equiparar com quem exerce isso profissionalmente. Não dá. Tem que ser um método simples, e ninguém fala isso por dois motivos:

  1. Ao poder interessa a ignorância da base. Tem muita gente que não quer que os leigos se tornem capazes; 
  2. Quem é muito especialista tende a não tolerar a gestão do seu próprio ego para passar adiante a simplificação. 

Preste atenção: você tem que ter um Método para sair do achismo! 

“A ‘Loja Castanha’ tá boa para comprar ou não?” Se você abrir a internet agora, tem 50 camaradas falando que “tá bom para vender” e outros 50 falando que “tá bom para comprar”. E quais estão certos? Depende! 

Você tem que ter um método seu, para olhar e falar o seguinte: de acordo com as minhas premissas, essa ação ou estratégia está boa para X ou Y. É preciso sair da turbulência, do ruído.  

O método é o cara que vai fazer com que você se blinde dos seus próprios vieses. “Mas eu não vou cair nisso”. Isso é ilusão! O viés é inerente ao ser humano, e você é humano. Não vai ser diferente, sofremos disso.  

A única coisa que você pode fazer para se afastar mais disso é reduzir o espaço dessa emoção, de coisas do tipo ‘eu acho’. Pega o achismo e coloca de lado.

Esquece isso de uma vez por todas, você precisa de um método para se proteger de você mesmo.

O Método

Você tem que ter um método para investir em ações. Este método precisa ser simples, mas precisa existir. 

Isso não se restringe à escolha de ativos, mas também inclui sua estratégia. Por exemplo: 

“Cara, o meu dinheiro vai para ações e eu vou diversificar em 5 setores, 25% cada. Um deles pode ser banco. E em banco, vou fazer o seguinte: vou acompanhar um banco digital etc”. 

A partir disso, você pode começar a decidir para quais bancos vai olhar. 

Qualquer que seja a leitura, se você quer escolher entre bancos, você poderia utilizar uma planilha ou um sistema. No caso do sistema, não cabe muito para pessoas comuns que não trabalham diretamente com investimentos. 

Então, uma planilha. Você vai ter que ter nessa planilha alguns gatilhos para encontrar um valor desse negócio. 

Risco e Retorno  

Imagine que você perde muito tempo pensando: “a loja Magritte é boa para comprar?”, e ao mesmo tempo pensa: “eu adoro as lojas Magritte, mas eu não sei se é bom para comprar”.  

É claroisso vai depender de um monte de coisa. Nos investimentos, você vai dizer várias vezes que depende. 

E esse “depende” que torna as coisas difíceis, porque nós odiamos incertezas. Quer um exemplo? O Nassim Taleb fala isso também:

Você vai para a Alemanha ou para a Itália, a culinária lá é boa, vários restaurantes etce também tem o Mc Donalds. Qual é o restaurante que fica cheio? O Mc Donalds. 

Você pode odiar a comida do Mc Donalds, mas você tende a odiar mais a incerteza.  

Então, essa história de “tem que analisar isso e aquilo”, faz com que você sinta a incerteza, e repito: ninguém gosta desse sentimento. 

Assim, você prefere correr o risco de não acertar e ficar na sua, do que investir e correr o risco de perder. Isso é muito bem explicado no viés cognitivo da aversão a perda. A dor de perder é maior do que o prazer de ganhar.  

Então, quando você vai combinando essas coisas, você tem o cenário perfeito para dizer: “pronto, eu gosto de ações e tal, mas o meu dinheiro tá em um fundo multimercado porque eu acho que isso e aquilo”. 

Colocar para funcionar

Às vezes, colocar para funcionar as melhores práticas custa caríssimo.  

Claro, são as melhores práticas, mas para isso é preciso tempo, sofisticação e mais uma enxurrada de coisas.  

Por isso, no dia a dia, acabamos não colocando em prática. 

Já vi várias multinacionais investir uma grana preta em um sistema e um time de consultoria para implementar esse sistema criado.

E no final das contas, o sistema era tão robusto, tinha tantos processos e rotinas, que ninguém colocava aquilo em prática. Aí sim, isso saiu caro demais. 

Porque, se você não coloca uma informação de qualidade no sistema que não se pode confiar, obviamente, você não vai tomar decisões baseadas naquele processo. Ou seja, todo o tempo gasto foi em vão. 

O que estou querendo dizer aqui é que, você pode perguntar para um cara que estuda e investe em ações, o que você deveria considerar para saber se você deve ou não comprar um papel de uma determinada empresa.  

E tudo o que ele te disser, provavelmente, vai estar certo. 

Sendo que, do ponto de vista prático, não está certo porque se você for considerar tudo o que ele fala, você não sai do lugar. 

Ou melhor, é possível fazer isso durante dois meses, mas aposto que você não faz durante 20 anos, a não ser que assuma isso como profissão.

Lembre-se: no mundo dos investimentos, o que conta é o longo prazo 

Então, o que você deveria considerar quando for comprar ações? Para aplicar em uma empresa, você deve entender:

  • O que essa empresa faz;
  • Quais os canais de receita;
  • Quais os meios de expansão;
  • Para quem ela vende;
  • Qual é o mercado competidor;
  • Quais são as barreiras de entrada;
  • Qual é o time gestor.

E, a partir de tudo isso e mais outro monte de coisa, você deveria ter a capacidade de estimar quanto essa empresa vai crescer e projetar esse resultado, mas aí é que entra nos poréns do valuation (avaliação de empresas). 

Nesse ponto, algumas pessoas até dizem que não fazem valuation e que utilizam outros processos para avaliar empresas. No final, é tudo a mesma coisa, demanda o mesmo tempo e experiência. 

Enfim, acho que já deu para entender, você não vai fazer isso, nem deveria tentar. Seu foco deveria ser produzir/gerar mais dinheiro, administrar e assim, investir, por isso você precisa de simplificação. 

Volto a dizer, para o seu bem e o para o bem do seu próprio dinheiro, na hora de comprar ações: monte um método em que te entregue com mais clareza e rapidez respostas sobre papéis comprados, algo que te blinde dessas emoções e impulsos. Além disso, busque a diversificação na sua carteira, não concentre tudo em único investimento.

Escrito por

Especialista em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas. É formado pelo Programa de Profissionais do Mercado Financeiro da Bolsa de Valores de São Paulo e pelo Programa CVM de Professores para Mercado de Capitais, Avaliador de Empresas pela NACVA - National Association of Certified Valuators and Analysts (EUA). Fundou a Empreender Dinheiro para democratizar o acesso à Educação Financeira de Alto Poder Transformacional e já impactou diretamente mais de 50.000 pessoas em suas soluções educacionais.

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